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Hoje, a senhora parou!

  • 24 de jan. de 2017
  • 1 min de leitura

Eram 12.35 quando a sala ao lado começou em alvoroço.

Eram 12,35, mais coisa menos coisa, quando a senhora parou.

A senhora, na casa dos 60 e tal anos, tinha o coração ainda dorido de um enfarte. Tudo porque o maldito "colesterol" lhe resolveu entupir a artéria que alimenta o coração - e aquela zona não aguentou. O que o coração precisava era maior do que aquilo que estava a receber.

Entrou a meio da manhã para "desentupir a canalização", acordada, não muito faladora. Foram fios, cateteres, fios a entrar e a sair.

Até que o ruído da respiração, o olhar fixo, confirmaram o que o monitor já estava antes a mostrar. Sem pulso.

Em correria, já em modo automático, sem muito pensar... começaram-se massagens cardíacas. Massagens atrás de massagens, turnos de enfermeiros e médicos para fazer compressões cardíacas. Máscaras para lhe dar ar. Tubos. Compressões. Fármacos. Adrenalinas. Equipa de reanimação. Foram minutos e minutos.

E a senhora parou!

E mesmo que naquele momento tudo pareça automático, todas aquelas pessoas pareçam programadas para aquilo, mesmo que tudo aconteça sem ninguém mostrar um pingo de emoção ... acredito, acredito mesmo, que no fundo, por trás do automático, estávamos todos também com o nosso coração apertado. Ficou até um pouco dorido, também.

A frieza com que atuamos, pura e simplesmente porque assim somos treinados, também se transforma depois, lá no fundo. Somos treinados e sabemos que todos ali deram o seu melhor.

A consciência chega bem a casa. O coração ainda apertado.


 
 
 

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MARIA FEDAITA

SAÚDE E BEM ESTAR

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